sexta-feira, 25 de março de 2011

MEMÓRIAS de OUTRORA XIV

(Continuação)
Pelo meio da tarde, com o ardente sol Africano a massacrar-nos impediosamente, saímos deste cerrado labirinto verde e embrenhamo-nos num alto capinzal que nos roçava o peito. Os meus dois cantis há muito tempo que se encontravam completamente vazios, quando providencialmente encontramos umas poças de agua bastante suja e com excrementos de elefante. Os Flechas desecavam-se sofregamente com esta beberragem, enquanto eu pacientemente e como me tinha sido ensinado, enchi um dos cantis, onde inseri duas pastilhas de halazon, de seguida utilizando o meu lenço do pescoço como filtro, transferi a água para o outro cantil.

Estes comprimidos de halazon, eram-nos distribuidos juntamente com as rações de combate e consistiam num desinfestante á base de lixívia, sendo largamente utilizado pelas nossas tropas para tratamento da água.
Contudo penso que não seriam muito eficazes, já que mesmo seguindo á risca a utilização deste desinfestante, viria perto do final da comissão a contrair uma doença tropical chamada bilharziose, doença esta, provocada pela ingestão de águas contaminadas.
(Continua)

8 comentários:

PRECIOSA disse...

Olá passei aqui para desejar a tí um final de semana iluminado,
Regado de muito amor....
Estou acompanhando suas escritas
E amando....

Preciosa Maria

Maria disse...

Amigo quantos sacrificios, dor e dificuldades não foram passadas.
Tenha um excelente fim de semana
Beijinhos
Maria

Dora Regina disse...

Olá, passado pra deixar meu abraço e dizer que acompanho suas histórias, não se preocupe, nem sempre deixo comentários, mas nada fica sem ser lido.
Bom fim de semana!!!

Rogério Pereira disse...

Água?
Azar o seu
Sorte a minha, que tão boa água tinha.
O problema meu foi sempre o de outra bebida... por ser pouca

Carla Ceres disse...

Quantas coisas interessantes aprendo neste blog! Hoje foi sobre as pastilhas de halazon. Aguardo as próximas. Abraço!

edumanes disse...

Água, líquido tão precioso,
Quem pelas mantanhas andava
Para quem a não tinha era doloroso
E quando, pouca, a encontrava
Mesmo suja era líquido delicioso
Falta dela nossa vida não continuava.

Bom domingo, um abraço. Eduardo.

José disse...

O que a gente tinha que beber, e comer, para sobreviver, eu na Guiné mesmo no Quartel a água tinha que ser filtrada, e quase sempre faltava a água, até ao meio do mês ainda havia dinheiro para a cerveja, a partir do meio do mês, era cá uma secura.

José Sousa disse...

Caro amigo Manuel!
Estou acompanhando as suas recordações, pois só poderia, me faz relembrar coisas do meu passado.

Va até o meu blogue mais novo:

http://www.transpondo-barreiras.blogspot.com

Um abração.