quarta-feira, 9 de março de 2011

MEMÓRIAS de OUTRORA XII


( Continuação)
Ao chegar junto do Inspetor da DGS, este comunica-me que todo o nosso esforço e empenho foram em vão. O Soba explicara que o pequeno grupo da FNLA realmente tinha ali chegado mas bastante cedo, talvez por volta do meio dia, decidiram alterar os planos, comeram, abasteceram-se de carne seca e seguiram de imediato, caminhariam durante o resto do dia e provavelmente parte da noite.
Mesmo assim o comandante Palacassa estava decidido a mover-lhes perseguição. O Inspetor tentava argumentar que o plano de operações não contemplava essa hipótese. Eu que assistia à discussão, pedia a Deus que tivesse compaixão de mim e que o Inspetor levasse por diante a sua posição.
Também não tínhamos rações de combate para prolongarmos a operação, as que possuíamos apenas davam para a viagem de regresso. Isso para os Flechas não consistia obstáculo, já que conseguiam sobreviver apenas com os alimentos obtidos da natureza. O único estorvo á concretização dos desejos do comandante Palacassa era a minha presença assim como do Inspetor e, este muito provavelmente não permitiria que os Flechas prosseguissem sós na perseguição dos elementos inimigos.
Entretanto a manhã avançava e estava na hora de eu fazer o contacto diário com a base pelo que montei as antenas no rádio racal TR 28 e, pressentindo a indecisão virei-me para o Inspetor e perguntei-lhe.
- Diga-me o que hei-de transmitir.
Não me respondeu entretido que estava argumentando e conversando com Palacassa.
(Continua)

10 comentários:

edumanes disse...

Olhando para a imagem, recordo os momentos de tristeza, cansaço desespero, incertezas, que nós militares vivemos durante as comissões de serviço obrigatório, em África, que nos disseram ser em defesa da Pátria.
Um abraço
Eduardo.

Rogério Pereira disse...

Ao que parece esse comandante tinha a alma fardada. Por ele ainda hoje por lá andariamos (se nos fosse permitido)

Por vezes não comento, mas vou-o lendo procurando que a sua narrativa espevite a minha memória...

José disse...

Eu ao longo da minha vida andei por vários lugares do país e do mundo, já me esqueci de grande parte das coisas que se passaram comigo, mas da guerra está aqui tudo gravada como se fosse ontem

Dora Regina disse...

São momentos que jamais se apagará da memória de quem lá esteve.
Obrigada pela leitura!
Um abraço!!

Carla Ceres disse...

Sofrimento impressionante, mesmo em um texto de ficção! Continuo acompanhando. Abraço!

Malu disse...

Manuel,


Sempre me impressiona sua caminhada .... E sigo a te ler.


Bjo de Bom Domingo.

Maria disse...

Amigo deixei no meu cantinho “SELINHOS – Presentes dos AMIGOS”, um miminho especial é o Selo “GOTA NO OCEANO” que recebi e que gostaria de partilhar consigo. Beijinhos
Maria

Ana Gaúcha _Professora disse...

MANUELLLLLLLLLLLL

é DIA DA POESIA_
_
POETAS DE AMANHÃ

Poetas de amanhã:
arautos, músicos,
cantores de amanhã!
Não é dia de eu me justificar
e dizer ao que vim;
mas vocês,
de uma nova geração,
atlética, telúrica, nativa,
maior que qualquer outra conhecida antes
— levantem-se:
__Pois têm de me justificar!

Eu mesmo faço apenas escrever
uma ou duas palavras
indicando o futuro;
faço tocar a roda para frente
apenas um momento
e volto para a sombra
correndo.

Eu sou um homem que,
vagando a esmo,
sem de todo parar,
casualmente passa a vista por vocês
e logo desvia o rosto,
deixando assim por conta de vocês
conceituá-lo e prová-lo,
e esperar de vocês
as coisas mais importantes.


Walt Whitman,
-------------------

___________bjs de Profe Ana Piaia
______________*

Malu disse...

Manuel,

Passando pra te acompanhar em sua narrativa ...


Desejo uma Tarde de Paz.

Graça Pereira disse...

Manel
Lá fui mais uma vez ler para trás...
O mês de Março é complicado para mim! Dizem que o tempo faz esquecer tudo...mas é mentira! Por isso, não tenho sido assídua aos blogues.
Talvez agora com a Primavera, espevite!!
Então o inspector não te ajudou na tua transmissão! A conversa com o Palacassa não seria uma desculpa?
Aguardo!
Beijocas
Graça